quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


"Antes da chuva" fotografia digital- (plagiada de uma obra de André Amaral)2009

Neste ano que começa vamos a pedir liberdade
Liberdade para o poema que está preso sem sentencia
Liberem o poema!
Senhores de etiqueta e falsas morais compradas no cartão
Liberem o poema!
Ele quer comer com as mãos sujas dos pobres e esquecidos
Senhoras gordas da caridade e culpas redimidas no cabeleireiro
Liberem o poema!
Ele não quer saber de estéticas nem de profiláticas mortes na teve
O poema quer a liberdade do amor feito às pressas numa rua escura
Quer a liberdade da fome aprisionada na barriga do medo
Liberem o poema!
Senhoritas de aveludados seios e lábios de fantasias comprados
O poema quer a liberdade dos pés sujos na lama depois da inundação
Quer o beijo anestesiado depois da extração do dente apodrecido
Liberem o poema!
Homens de pouca fé mulheres de fé alugada nos templos vazios de esperanças
O poema quer ser laico, pecador, ateu, gnóstico e infiel
Quer a liberdade como o pão quente numa segunda feira
Neste ano que começa vamos a pedir liberdade para nós
Nós que somos a matéria essencial do poema.

Flavio Pettinichi- 31 – 12- 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009


Eu vi teu rosto no orvalho da pétala arrancada da noite
Eu vi teu corpo mimetizado na confluência das águas
Eu senti teu tempo no letargo das horas cansadas
Eu tomei teu espaço infinito e fiz um retrato essencial

Geográfica nuance tua forma sem falsos mistérios
Um desatino de profundidades e cosmos, teu sexo
Desgarros nas pedras gritam o teu grito esparzido
Agora ficam as manchas nas ruínas do visceral templo

Quem apagará a tinta eternizada no suor dos lençóis?
Que dirá que as manhãs não conhecem o lamento?
Numa encruzilhada de rios a fé desconhece o silêncio
Eu te encontro viva no imanente sentido das sombras

Um café derramado na cadeira vazia...
ainda te vejo.

Flavio Pettinichi- 29- 12- 2010

sábado, 26 de dezembro de 2009


Fotografia Contemporânea
A fotografia como expressão conceitual
Muito se fala da arte conceitual em diferentes disciplinas, talvez a razão da arte esteja passando por um processo de se Pensar a arte, e não só de sentir ela desde uma estética aristotélica.
As instalações são um fiel referente de essa prática,o que leva a pensar , que por ser esta disciplina uma atividade quase nova ainda,a pesar de que Dunchamp era do século passado, ainda veremos outro tipo de expressões do tipo.assim como veio acontecendo em outras disciplinas tais como., pintura(o abstrato poderia ser um bom referente do conceitual) , desenho,( as novas técnica digitais estão ai para mostrar) a música ( a dodecafônica e a minimalista são bons exemplos) etc .
A fotografia não poderia escapar desta tendência, desde Man Ray , Stern, breson e outros tantoS, a expressão fotográfica vem mudando com as correntes contemporâneas,.

O que quer dizer o conceitual?, bom, isso daria para cobrir várias enciclopédias , mas vamos a uma explicação razoável.
“ A arte conceitual é aquela que considera a idéia, o conceito por trás de uma obra artística. como sendo superior ao próprio resultado final, sendo que este pode até ser dispensável. ” (Fontes: Enciclopédia Digital Master. - Enciclopédia Koogan-Houaiss.)
Há tempo que as artes estão entre o homem comum e entre tanto ainda estão distantes, ou seja ,uma das primeiras expressões do homem foi a pintura, e depois a escrita , no que se refere a artes visuais, poderíamos dizer que cada utensílio criado nos primórdios também foram objetos de arte e a palavra talvez tenha sido no seu momento uma das maiores mostras lúdicas do homem , mas vamos lá.
A fotografia hoje cumpre um papel preponderante em tudo o que é informação, e arte é informação, informação esta que altera os sentidos de percepção, mas alguns teórico ainda teimam em fazer dela algo difícil de entender para o publico em geral,ou seja querer explicar a arte como algo simples e complicaram tudo.
Joseph Kosuth também é considerado um dos líderes do movimento conceitual nos Estados Unidos é bastante conhecido seu trabalho "One and Three Chairs", que apresenta uma cadeira propriamente dita, uma fotografia de uma cadeira e uma definição extraída do dicionário sobre o que seja uma cadeira.(Fontes: Enciclopédia Digital Master,)
Então voltemos, a entender, precisamos de um dicionário para entender uma foto de uma cadeira? , justamente disso se trata,de não ter que entender a arte e SIM de voltar a sentir desde uma poética as coisas simples, claro que o dicionário foi um ato de revolta contra a arte elitista, uma cadeira é uma cadeira..o conceitual está em cada um de nós .
o conceitual está no que realmentes estamos dispostos a sentir, de outro jeito só serão imagens, independente de tecnicas e equipamentos .

Flavio Pettinichi- 26- 12- 2010
Fotografia digital " mesa sobre chão de lajotas"ou "ausência "

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009


http://www.youtube.com/watch?v=TU_RPjeJpFg&feature=related

Quando a tua nau partiu também partiram as minhas palavras
Desabaram montanhas e secaram os oceanos dos sonhos
E nós, como trigais abandonados, esperamos a força do sol
Áridos corpos foram amanhecendo no sertão das almas

Tentamos parir o poema na escura solidão da noite
Escolhemos a flor murcha para enfeitar o tumulo dos mistérios
Nós, que tivemos a espada e a rosa agonizamos em silêncio
E tudo passo é uma agulha enferrujada no mapa do tempo

Dormimos no relento do medo e acordamos tarde demais
Agora é tarde amor , agora nossas insinuações são pecados
Na igreja vazia o salmo do adeus ecoa nas escrituras esquecidas
E não soubemos decifrar o instante visceral onde a lágrima era casta

No horizonte algo se mexe sem destino
Eu ainda acredito no despertar
Eu sinto as marés
Elas voltam
Sempre.

Flavio Pettinichi
25- 12- 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009


Como a paixão das pétalas sangrando nas calçadas
Assim nossas vidas como pétalas renascidas da alegria
Como uma estrada onde o destino é inverossímil e fugaz
Assim nossas pegadas deixaram um rastro de saudade e vida

Assim como as arvores que escolhem a luz parindo sombras
Assim nossas palavras escondidas na hora do beijo esperado
Assim como as coisas simples num dia de brisas e desejos
Assim nossas mãos entrelaçadas buscando o essencial de nós

Assim tão infinito e misterioso como o sentimento de amar
Assim meu olhar perdido e sem bússola no mar do teu olhar
Assim a aventura de redescobrir a cada dia cada instante de ti
Assim simplesmente como as pétalas que lembram teu lábios.

Flavio Pettinichi- 19 – 12- 2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009


Pegadas vivas tatuadas nas pedras soltas
Só o silêncio da tarde estremecia a relva
Um reencontro de pétalas e nenhum adeus
Assim foram nossos dias depois da chuva
Agora tudo é mimetismo de sentidos áureos
Agora quando a noite beija o universo te desejo
Agora tudo o que é infinito deságua no teu seio
Agora teu beijo é a adaga que fere o perverso
Então abro portas sem perguntar pelos mistérios
E me entrego...
Flavio Pettinichi 16-12-2009

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

“Corpos contemporâneos “ – Fotografia Digital – Flavio Pettinichi 2009
conceitos fotográficos de arte contemporanêa


Trecho da entrevista concedida pelo fotógrafo Germano Schüür à revista Informativo Randon em outubro de 1986.
Aqueles que encontram na fotografia apenas o resultado do desenvolvimento tecnológico dos equipamentos eletrônicos, óticos e químicos utilizados para a produção da fotografia, estão muito longe de entender o verdadeiro significado da arte fotográfica. Fotografia é a utilização de determinadas técnicas para codificar em imagem o mundo pessoal daquele que fotografa. E a foto arte exprime justamente isto, o sentimento do fotógrafo sobre as pessoas, a natureza e o mundo que o cerca.
Germano é Biólogo e Fotografo gaúcho, ganhador de vários concursos de Fotografia.

Eu concordo plenamente com o comentário de Germano, entendo a fotografia como um meio de expressão plástica onde o real e o imaginário possam conviver respeitando o resultado esperado, eu diria que ate mais que isso, esperando às vezes um resultado nem sempre dominado pelo artista.
“Neste tempo onde tudo é contemporâneo e urgente o artista não escapa das surpresas que a obra possa lhe proporcionar na hora do resultado final, ate por que acredito que, como dizia Humberto Eco,” a obra começa no olhar do outro. ”Então por que não ser Eu também o Outro nessa hora, faço arte justamente para explorar o inesperado,se quisesse tudo exato seria relojoeiro.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

http://www.youtube.com/watch?v=sGQGE5FtFbY&feature=related



Chove aqui e chovem infinitas lembranças de ti
Algumas razões se perderam nos caminhos do adeus
Então uma canção triste acorda os pássaros da ternura
Como uma caricia de ventanias,busco-te dentro do mar

Quando teu sorriso invadia o espaço da noite sentíamos o som do coração
Quando os beijos floresciam, nosso sol brilhava em paz e não queimava
Hoje chove aqui e nenhuma distância é mensurável nem absoluta
Nenhuma poesia derruba o muro que escondeu teu tempo olvidado

Chove aqui e chovem as lágrimas que esquecemos de secar
Agora tudo teu ser se espelha nas poças que alagam as ruas e nada brilha alem de aqueles momentos.

Porque ainda chove .

Flavio Pettinichi- 08-12- 09

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009


Alguns conceitos sobre fotografia contemporânea-

contemporâneo gegenwärtig, heutig, jetzig, zeitgenössisch current, present, contemporary معاصر subst contemporâneo, contemporânea

pessoa que vive/ viveu na mesma época contemporain/-aine
um contemporâneo de Mozart un contemporain de Mozart
os nossos contemporâneos nos contemporains
adj contemporâneo, contemporânea

1 que vive/ viveu na mesma época contemporain/-aine
um músico contemporâneo de Mozart un musicien contemporain de Mozart
2 do tempo presente contemporain/-aine
a literatura contemporânea




Parte 1: Olhares Objetivos

Palavras de Sebastião Salgado, um dos maiores fotógrafos da atualidade no Brasil e no mundo


“Na revista Marie Claire, em 1997, Salgado esclarece que sua maneira de fotografar é totalmente subjetiva: é a sua visão, sua maneira de ver o mundo. Afirma que, junto com a imagem captada, há todo o peso de sua história pessoal, sua formação, sua forma de pensar e reconhece: "A imagem que dou (nas fotografias) é também a imagem da minha ideologia". Isso mostra que o fotógrafo não é dono da verdade. Com suas imagens ele quer mostrar sua visão sobre algo, sua sensibilidade sobre o acontecimento.
Além de ser um observador, Salgado é um provocador, de não somente mostrar o lado sombrio da humanidade. Como ele disse em entrevista no site Terra sobre o livro êxodos: Minha maior esperança é provocar um debate sobre a condição humana do ponto de vista dos povos em êxodo de todo o mundo. Minhas fotografias são um vetor entre o que acontece no mundo e as pessoas que não têm como presenciar o que acontece. Espero que a pessoa que entrar numa exposição minha não saia a mesma.”

Bom , eu faço minhas essa palavras, não tenho como me distanciar da obra sem põr o meu ser (HUMANO) como um todo, seja esta obra ( imagem) , documental ou foto-arte.
Vejo a fotografia como qualquer outra maneira de expressão artística, onde qualquer método que possa me levar a uma estética dentro da minha necessidade, é valido, Isto que dizer, utilizo a câmera fotográfica como uma ferramenta, não como um elemento absoluto nem como um dogma. Justamente o que quero com as minhas imagens é quebrar certos dogmas, coisa que não é novidades. Os grandes fotógrafos já vêm fazendo isso há mais de um século.
Flavio Pettinichi- 05- 12- 09

terça-feira, 1 de dezembro de 2009


Ele voltou, como os ventos e as lembranças
Ela o esperava, como esperam as marés e as espumas
Cada segundo esperado foi um estrondo de semente germinando
A cada passo do retorno uma estrela brilhante e fugaz nascia

Nele, as roupas cansadas de batalhas não escondiam a sua luz
Ela vestida com a sua melhor brisa de verão tinha o sorriso nu
Sentiran-se sem perguntas nem mistérios cotidianos
Na mesa estavam o pão e o vinho como um tesouro eterno

A música das gaivotas da alma tocava no silêncio da sala
Os talheres acompanhavam o ritmo das ondas marinas
Toda arte era o coração batendo dentro dos amantes
Um beijo escapou das mãos na hora da sobremesa

Ele tinha se atrasado no trânsito alucinado da cidade
Ela tinha acabado de dormir as crianças e regar as flores
As janelas abriram-se em harmonia na hora do amor
Renovaram seu pacto essencial de vida

E nessa noite não sonharam, viveram.
Flavio Pettinichi 30- 11- 09

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

REVELAÇÕES
Recebi da amiga FELINA o desafio de completar estas cinco frases.
Eu Já...
Eu nunca...
Eu sei...
Eu quero...
Eu sonho...
Estas são minhas respostas:
Eu Já aceitei que sou impotente perante o Futuro e o passado
Eu nunca me importei ( nem me importo) em usar gravata borboleta e tenis All Star
Eu sei que é duro ser artista num mundo atordoado pela máteria
Eu quero uma verdade que não me dê certezas
Eu sonho uma realidade que não seja algoz das minhas fantasias
E como a sexta é cortesia....
Eu só quero continuar fazendo arte e amor até mais tarde!!!
Flavio Pettinichi


As regras são designar cinco blogs, que devem indicar de quem receberam o convite.
flavio do: http://artenasveias.blogspot.com/
Lou do: http://floresepoesia.blogspot.com/
Everson do: http://olivrodosdiasdois.blogspot.com/
Fabio do: http://pensamentosbruxo.blogspot.com/
Louis do: http://nobodyknowsbutme2.blogspot.com/
http://felina-mulher.blogspot.com/
O que é o tempo quando tua ausência é matéria?
Ruas vazias, livros mudos, páginas em branco?
O final da taça,um brinco esquecido e a janela fechada?
O que é o tempo quando teu silêncio cala ate os oceanos?

O que é a distância quando todo caminho é saudade?
Uma brisa taciturna e melancólica invadindo meu quarto?
Um esboço de paisagens sem cores nem mistérios?
O que é a distância quando a noite afoga-se em estrelas?

O que é o amor quando no horizonte não vejo teu corpo?
Um nó que amarra sentidos, um cais olvidado, um barco a deriva?
Um campo exaurido de esperanças, o leito seco do rio dos dias?
O que é o amor quando o eclipse escurece a ternura e a fúria?

Responderão as algas marinhas minhas inquisições vãs?
A ventania que açoita meus medos, responderá?
O poema que dorme acordará as respostas?
Só teu ser é toda resposta
Ao meu lado
Flavio Pettinichi- 26- 11- 09

quarta-feira, 18 de novembro de 2009


Relógios já não derretem o tempo
Uma sinfonia de surdos afaga acordes madrigais
Moraliza não sorri na penumbra do museu
Um Parangole vermelho seca no varal

Não há pecados no éden do monge velho
Fuligens e chuvas acidas cobrem o lado escuro da lua
Pirâmides e colossos desabam no olvido
A moça do brinco aposentou seus desejos

Na sala do cinema vazio nada é Transcendental
Um trem caipira esqueceu de parar nas quatro estações
Alfonzina volta do mar e morre tédio
O Ibirapurú perdeu a cor e a rebeldia

Na montanha mágica vendem-se lotes
Há letargo na terra do nunca jamais e nenhum trance
No sertão de Euclides não se vislumbram tormentas
Nem tudo vale a pena se a alma é pequena

Das tuas mãos renascem pontes amarelas
Da tua pele brotam gaivotas e chapéus
Do teu ser a arte transforma-se em vida
Agora tudo passado são enciclopédias vazias
Flavio Pettinichi 18- 11- 09

terça-feira, 17 de novembro de 2009


Que há em mim que a tua pele desconheça?
Alguma brisa preguiçosa das tardes de primavera?
Vestígios de um passado que não teve tempo de esperas?
Se tudo o que é vida lateja na alucinação dos nossos corpos

Que há de ti que os meus olhos não enxerguem?
A mansidão geográfica dos teus sentidos corpóreos?
Algum desejo de espinho e cactos quando a noite espera?
Se tudo o que é táctil é pouco na sensibilidade da minha retina

Que há de nós que os sonhos ainda guardem?
Tesouros escondidos na sombra de uma lua clandestina?
Elixires mágicos inventados na alquimia de uma cama cósmica?
Tudo o que é mistério pertence a nós desde o imemorial tempo
Flavio Pettinichi- 16 – 11-09

domingo, 8 de novembro de 2009

Escrevo para não me perder e não perder de mim a incógnita dos mistérios
Leio e releio cada página em branco que encontro na orfandade da madrugada
Vou despindo o silêncio que aprisiona o sentido das brisas e dos medos
Sinto a nudez para não sentir o vácuo na aspereza do homem e das pedras

Quando tem lua apago as luzes da noite e espreito o caminho do cosmos
Não há intensidade que eu não sinta como uma tormenta de sonhos
Há sim um sentimento de desgarro e sangue que lateja na rua vazia
Noturnas fotografias de eclipsada forma revelam-se no meu poema

Independente de toda matéria a estrofe vai concretizando o som
Lutas e claudicações esperam na ante-sala do conceito literário
Quem abrira a janela para a imensidão do sentimento sem dor?
Quem arrebatará a poesia como um doce de uma criança sem pai?

Eu só escrevo para não esquecer o intransigente destino de ser
Para declarar sem pudor que sou a continuidade de todo o vivo
Escrevo porque pulsa a barca amarrada no cais da existência
E só a palavra me dá a certeza de poder acariciar o horizonte
que em mim espera.

Flavio Pettinichi-09-10-09

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Quando a tarde sangra e a noite ainda esconde o beijo
Vou procurando o eclipse que desenhamos em nossas peles
Porta-retratos aparecem no lago que ainda espera nossa nau
Quando a tarde sangra e a noite ainda esconde o beijo

Pedras de um mesmo vulcão são como a escarpada espera
E meus pés em chagas desconhecem a ferida e a dor
Lembras?
Chorávamos sem motivos e a lua rugia quando o vento parava
Um destino de portas mal pintadas vislumbra tormentas

Abro as asas do meu silêncio e vôo ate as lembranças
Grito e acordo os cactos que espetam o murmúrio do mar
São tão poucas as estrelas quando recordo teus beijos
E tão pouca a madrugada quando sinto o passo do tempo

É noite agora e as pegadas já apagaram na areia
A espuma exilou o olvido como uma pena branca
Desenhos de nuvens e ondas de som acordam-me
A noite sempre foi a minha amante sem exaustão
Eu vou nela.
Flavio Pettinichi –06-11-09
Foram invadindo cada espaço que ficava entre folhagem
Mimetizando-se com o crepúsculo e a rubra noite
Foram invadindo cada grão do sal dos dias de gloria
Insanamente foram usurpando o tempo do silêncio

Renegaram de todos os conceitos e todo dogma
Aboliram cada signo como forma e fundamento
Chutaram pedras desde o alto da ponte da sanidade
Amaram e desamaram todo pecado e toda dor apaixonada

Arrombaram portas fechadas à alegrias e os mistérios
Deitaram na cama do Rei e no chão sujo da miséria
Vomitaram no prato da madame e lamberam o copo da puta
Não sossegaram nem na iminência da desumana morte

Agora estão na esquina esperando minha alma em flor
Os ouço cantando uma perversa canção de ninar dragões
Os vejo brincando de esconde –esconde com os restos ensangüentados do dia
Os sinto arrancando a minha pele como vermelhas pétalas

Meus poemas são eles tão livres como pagãos!

Flavio Pettinichi-04-10-09

terça-feira, 3 de novembro de 2009

quer sombra me é matéria de vasta poesia
Qualquer palavra me é caminho de espumas
Qualquer gesto me é espelho de águas
Qualquer silêncio me acorda à teu nome

A noite devora os medos e as pedras
As ondas arremessam esperanças na areia
As gaivotas dormem no alto dos desejos
A lua rasga a pele do universo e dança...

Como um marinheiro, sinto o curso dos ventos
Tenho um cruzeiro estelar cravejado no peito
Não dói a distância se há certeza de um porto
Minha barca lateja na infinita maré dos mistérios

Agora é madrugada e os Deuses acordam ...

Flavio Pettinichi- 03-11-09

domingo, 1 de novembro de 2009

Navegam em mim a nau e o vento da liberdade vital
Não há tormenta nem escuridão que atemorizem meu ser
Explosões de cores e texturas geográficas fazem meu caminho
Sou a luz e a sombra do meu desejo descabido de destinos

Tenho como norte a sutileza das nuvens e as conchas
Tenho como certo tudo aquilo que é efêmero e mistério
Tenho como idioma o murmúrio da noite e a brisa marina
Tenho como forma o rocha e a espuma rebelde dos oceanos

Nunca desejei uma eternidade que não seja momentânea
Rasguei todos os mapas que me levassem ao tesouro certo
Comi e bebi com os que nada tinham a não ser as esperanças
Fui pedra e limo, trigal e foice, escudo e ferida e ainda tempo

Sou intransigente como as flores na hora da primavera
Sou irredutível como a chuva na hora da semente
Sou o silêncio da ternura quando a noite abre em estrelas
Sou o cheio do vazio quando a solidão espreita os sonhos

O poema está em mim parindo o raiar da vida.

Flavio Pettinichi- 01-11-09

quarta-feira, 28 de outubro de 2009


Na espera da sutil sombra dos momentos sou a espreita
Das folhas que nascem de mim colho a luz renegada
Há uma porta sempre entre aberta na crepuscular lágrima
Um chão de caminho cansado ainda espera os meus passos

Dirão que não fui a suficiência das águas-vivas
Dirão que o meu livro esteve exilado do teu estante
Dirão que o poema da tua pele suava saudades mortas
Dirão que o meu desejo sempre foi infinito e casto

Que sentirão na hemorragia do dia sem mistérios?
Que farão quando os espinhos sangrem as metáforas?
Quem vestira as vestes da paixão na tarde nua de mim?
Quem escapará do incêndio da razão e do medo e ainda assim cantará?

Observo-te em silêncio quando as cores dormem
Estático meus movimentos congelam o poema da tarde
Como uma felina imagem meu olhar te busca
Já é hora da partida aonde as marés vão sem destino certo

A poesia renasce e eu te espero.
Flavio Pettinichi-27-10-09

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A partir de agora

A partir de agora daremos outro sentido às palavras
ADEUS terá sentido de cor verde numa tarde primaveral
SAPATO terá gosto de torta de morango roubada da janela
A partir de agora as palavras terão o silencio da noite voraz

A partir de agora os sentidos serão sensações pictóricas
VER se tornara textura de limo e sal pintada na pedra do mar
TOCAR há de ser o pincel que recria o ato de amar e se doar
A partir de agora os sentidos serão feitos para voar

A partir de agora o TEMPOserá só poesia e cantar
Não haverá hora para almoçar, comeremos o sol e o luar
Os relógios serão instrumentos melodiosos para sonhar
A partir de agora a ESPERA é um barquinho de papel para navegar

A partir de agora todo o que queiramos,como milagre, acontecerá
Seremos crianças, flor, livro, uma rua deserta ou azul do mar
Brincaremos de balão no céu da boca e pularemos do teto salarial
A partir de agora o NUNCA, será a flor e a tão ansiada paz.

A partir de agora o HOMEM não será homem nem mulher
Será a espiga que cresce no campo de trigais e florescerá
Terá como nome uma estrela e como apelido o amanhecer
A partir de agora o homem não se reconhecerá como tal, será SER



foto outubro 2009
Flavio PettinichiJunho 2008-06-20

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Algo de mim recria o que foi o dia
Algo de mim adormece as sombras
Um claro espanto de taciturna espera
Uma tênue ruptura entre ser e estar

Quase verbo o som das lembranças
Absoluta inconseqüência o destino
Nada me atrai além do sutil horizonte
Arregaçado contra o vento, voa meu silêncio

Nada acorda a sonolência das ondas
Todo é estrondo no instante do medo
Caminhos e subterfúgios fogem de mim
Sem sentidos colho metáforas etéreas

Um passado incandescente incendeia sonhos
Como a tormenta que antecede a calmaria
Sou o paradoxo da palavra emudecida
Sou toda matéria que viva espera o recomeço

Não há morte na vida do sagrado poema
Toda flor e sempre indescritível primavera
Não há espaço no cosmos da poesia incerta
Todo átomo é sutil leveza da estrofe e da letra.

Flavio Pettinichi
21 de julho de 2008 -Foto do autor : outubro 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Foi então que abri a minha alma e brotaram ventanias
Alucinados arco-íris tatuavam-se no que era tua pele
Marés de um sonho infinito arrastavam minha voz
Tuas vestes, como bandeiras, flamavam na colina

Tempos onde o tempo era semente de selvagem flor
Palavras como nuvens esvaindo na calmaria da noite
Livros abertos onde as poesias dormiam com borboletas
Frutos maduros e campos dourados o nosso instante eterno

Foi então que teu plexo exalou a fragrância das águas
Gemidos suaves como pinceladas de um esboço do amor
Luas, cometas, asteróides e distantes planetas a nossa constelação
Minha incógnita se exilou na incandescência dos corpos

Há uma cama onde florescem poemas e estrelas
Há uma janela que espera o silêncio que chega de dentro
Há um desejo pousado na flor da esperança
Estamos nós rindo do mistério das almas.

Flavio Pettinichi- 25-10-09

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Agora

Alguém nesta clara noite escurece os sonhos
Alguém neste instante joga sua sorte no baralho
marcado
Alguém está perdido no meio do seu interior
Alguém procura seu canto e atordoa os ventos

Alguém lê em livro profano e mente orações
Alguém diz, te amo, com uma faca espetada na alma
de outro alguém
Alguém esquece seu nome na frente do espelho vazio
Alguém chorou o destino da pétala morta no inverno

Alguém se observa na rua cega de ilusões pueris
Alguém sente a raiva contida da humana miséria
Alguém escreve um poema sem rima nem sangue
Alguém faz das suas vísceras a corda da fuga

Alguém ainda espera o apito de um trem fantasma
Alguém bate na porta errada e deixa uma flor azul
Alguém pensa em ti como a essencialidade das brisas
Alguém que desconhece o sentido das horas não cansa

Serei esse alguém ou algum dos outros?

Flavio Pettinichi- 14-10-09

terça-feira, 13 de outubro de 2009


Escavei em mim procurando desenterrar a palavra escondida
Fui achando vestígios de civilizações de sentidos inertes
Aprofundei-me nas trevas de insanos e apócrifos versos
A palavra foge em silêncio quando o grito está na espreita

Houve noites e dias onde o caos era absoluto reino
Então o gutural desgarro do homem era seu próprio tormento
Eu vi na lasca da pedra sua ancestral ferida de espanto e medo
Eu senti no pulsar dos elementos o estrondo e o calor do magma

Queima a palavra quando o frio congela a garganta e o momento
Dói a palavra quando não se tem exílio nem desterro certo
Afoga a palavra quando na escuridão cegamos num lampejo
Mata a palavra na agonia sem espaço dos amantes sem tempo

Escavo em mim na procura do tesouro olvidado no deserto
Na procura da luz...passam as tormentas, como passa o tempo.

Flavio Pettinichi- 13-10-09

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

outubro de 2009- Fotografia : Flavio Pettinichi
Modelo: Adriana- Cabo Frio - RJ.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009


Quis sentir do silêncio da noite teu fêmeo pulsar
Quis percorrer cada trilha da tua selva de sonhos
Quis perguntar pelos teus mistérios e calei a escuras
No letargo da tarde as palavras adormecem em paz

Houve um instante onde o passado foi o único tempo
Há no presente um refluxo de borboletas sem destinos
Haverá num futuro a ternura dos poemas sem nome
Etéreo e atemporal vou decifrando papiros e túmulos

Semeei espinhos e pedras, só pra sentir o sangue vital
Colhi as incertezas como flores de um dia e errei cantando
Construí castelos de espuma só pra cheirar as marés
Desabei chuvas e trovões no meu leito vazio e dormi

Quem dirá que teu mapa tinha um tesouro escondido?
Quem desde as sombras lamentará a cegueira de Homero?
Quem, se não eu, terá a coragem de desenterrar os Deuses?
Quem expurgara o pecado do adeus quando o beijo floresça?
É primavera...
Uma barca espera o vento, eu espero teu tempo.

F. Pettinichi- 26- 09- 09

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

sábado, 29 de agosto de 2009

"arquitetura ecologica" Flavio Pettinici- 2009





Eu escrevo para que descubras teus segredos de sal e sol
Pois os meus já foram expostos aos ventos e esvaíram-se
Escrevo, não porque acredite numa fé absoluta dos sentimentos
E sim porque preciso de uma entrega essencial aos mistérios

Não quero que leias as minhas exauridas palavras como ossos
Quero sim um mergulho ao teu mar de viscerais profundidades
Não escrevo esperando uma resposta de nuvens em redenção
Quero a desmaterialização do sangue esvaziando as veias

Quero me desencontrar do lugar comum do meu espelho
Queimar os livros e abolir os velhos conceitos, eu quero
Porque quando escrevo, quero teus olhos fechados de esperas
Quero tuas mãos tremulas e o teu corpo entregues ao universo

Não me leias nos versos nem em parágrafos desconexos
Cega o que pareça certo, abre teu destino infinito e etéreo
Pega de mim o grito mudo e acorda o que dorme no relento
Faz deste poema a chave da porta esquecida dos vivos momentos

Lee o espaço entre as palavras e sente o murmúrio do avesso
Escava nas entrelinhas, desdenha toda vírgula e abre o plexo
Porque a poesia nasce quando eu me leio interiormente aberto
Não há espelho mais nítido,de mim, do que aquilo que desconheço

Então diz agora:
Sinto agora que há um poema dentro de mim e ainda não foi liberto.
Flavio Pettinichi- 27-08-09

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Nas favelas,
Quando a noite chega calada
A escuridão grita em silêncio.
favela em Cabo frio - Rio de Janeiro- Câmêra Canon PowerShot A560- Modo manual expos. 8 segundo..sem edição.ISSO 80- FLAVIO PETTTINICCHI- 2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009


Coisas que passam desapercebidas e que são vitais:Deixar de ler um poema quando lavamos roupa

A roupa não envelhece, nós sim.

Não escrever uma carta por que não achamos a caneta, nem o endereço

Escreva com tinta de saudades, um amigo pode viajar sem endereço fixo, para sempre.

Não sentir a brisa da manhã por ter que fritar um ovo no café da manhã

Ovos não são bons para um corpo sadio numa mente insana.

Não molhar os pés nas águas do mar, rio ou lagoa, por estar de meias

Nem sempre alguma peça do vestuário esquenta a alma.

Deixar para depois escutar algum concerto de piano, por estar no carro

Se mal conhecemos a nossa floresta interior não acalmaremos a fera que nela habita.(a música acalma as feras)

Deixar de beijar meus seres queridos por medo de borrar o batão

Com certeza borrar as boas lembranças não vai ajudar muito na hora da foto.

Não sentir o grito da madrugada no momentoque está parindo um novo dia

Tem ruídos piores no vazio das horas.

Flavio Petttinichi- 27-08-2009
Detalhe de uma porta interna da Capela de São Francisco- Cabo Frio- Rio de Janeiro- Brasil-

Câmera Cânon Power Shot – Manual- ISSO - 80

sábado, 22 de agosto de 2009

edição Digital de um Detalhe do meu quarto!!!
Dizem as más línguas que os poetas vivemos do vento
Pois bem, é mentira ,também vivemos das nostalgias esquecidas
Das tardes vazias de amores e do sorriso da maldade sadia
Vivemos dos vestígios e pecados do que ainda é vida.

Soube de um poeta que morreu quando a noite não gemia
De um outro que casou com as sombras de uma agonia
Contaram-me de aquele que brisas e sonhos comia
E de uma poetiza que só cantava ás gaivotas quando elas dormiam

Ontem mesmo, João poeta fez um banquete de alegrias
Maria poesia empapuçou quando bebeu estrelas e maresias
Juntamos-nos para celebrar a valentia e a humana covardia
Somos seres normais, sofremos como sofrem as sementes quando germinam

Dizem e comentam as más línguas que os poetas sumiram
Pode ser, talvez estejam brincando numa rua ensolarada e vazia
Procurando o sustento que alimente sua nescesididade divina
Uma palavra amiga para brincar de esconde-esconde com a essencial poesia chamada vida.
Flavio Pettinichi- agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

"Detalhes"
Aonde vão as pétalas arrancadas, quando de ti foge o perfume?
Aonde vai o vazio do quarto quando tua nudez invade o espaço?
Que acontece quando o grito da noite cala no teu infinito olhar?
Cadê as cinzas das cartas de amor que incendiaram minha pele?

Quero sentir a brutalidade do teu ar inundando meus pulmões
Quero a ressecada matéria nos meus lábios esquecidos de lagrimas
Ensina-me tua intransigência voraz na hora do beijo carente de luas
Dá-me tua fumaça roubada do meu cigarro queimando o resto do gozo

Porque olvidamos uma cama insepulta no sementeiro e não colhemos flores
Derramamos palavras cruas no fervente instante insano do adeus
Aceitamos uma sentença cega de justiças que nos condena à saudade
E na cela das nostalgias um pombo ensaia o destino de Ícaro

Então Pergunto; sentirá a pedra imemorial a dor do limo que seca ao sol?
Terá urgência a sombra que esfria o tesão geográfico da terra?
Não quero uma resposta de verborrágicos sentimentos e vãs juras de fé
Quero a tua essência exposta e dilacerada como um banquete de lobos.

Flavio Pettinichi- 16 de agosto de 2009

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Nós

Das espumas que batem na rocha, escuto o canto do adeus
Das pegadas deixadas na areia, decifro teu nome de paz
Uma gaivota pousa na imensidão horizontal do teu corpo
Então espero em vão as palavras que despem os pecados

Sempre quis saber qual é a eternidade escondida em ti?
Qual dos mapas feitos de sangue me leva até teu sal?
Agora quando eu não sou mais que vento, nem secas folhas cairam
E no deserto, folhas de um poema queimam na areia

Quem falou que a saudade é um don dos que amam na distância?
Se a distância coagula na infinita noite!
Quem recriou a canção que tínhamos esquecido como um pacto?
Se as vozes do passado, tem a intensa cor das tormentas!

Do limo cicatrizado nas algas, faço meu leito e te espero
Dos sons abafados das medusas, aprofundo meu plexo em ti
Uma taça de vinho seca de tanto abismo na sua essência
Então procuro num ritual de pedras a sombra do que fomos nós.
Nós que fizemos um no e ninguém desatou.

Foto e fragmento Poético :Flavio Pettinichi- 2009
Foto cais de Cabo Frio – Canal do Itaujuru- ano 2009.Câmera Cânon Power shot.560- Modo automático

quinta-feira, 6 de agosto de 2009


da série Sensualidade Clandestina- Flavio Pettinichi- Fotografia e texto

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sensualidade Clandestina

Há uma sensualidade escondida atrás do desejo, uma sensualidade que extrapola o sentido da carne, como um rufar de violência inocente e uma abrangência do etéreo.

Há na sensualidade uma intimidade com a noite e sua insana liberdade que sobre-passa limites e fronteira.

Há na sensualidade uma infinita fome do que ainda desconhece e que, sem mistérios explode em partículas de formas e nuances que vão se mimetizando com o pulsar dos corpos.

Isso eu chamo Sensualidade Clandestina.Flavio Pettinichi- agosto de 2009

domingo, 19 de julho de 2009

segunda-feira, 13 de julho de 2009

sensualidade clandestina..flavio Pettinichi- 2009
Da série "Sensualidade Clandestina" cabo Frio 2009- flavio Pettinichi
Cânon power shot 560- modo Manual- iso 80 - obturador 2 ´´