quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


"Antes da chuva" fotografia digital- (plagiada de uma obra de André Amaral)2009

Neste ano que começa vamos a pedir liberdade
Liberdade para o poema que está preso sem sentencia
Liberem o poema!
Senhores de etiqueta e falsas morais compradas no cartão
Liberem o poema!
Ele quer comer com as mãos sujas dos pobres e esquecidos
Senhoras gordas da caridade e culpas redimidas no cabeleireiro
Liberem o poema!
Ele não quer saber de estéticas nem de profiláticas mortes na teve
O poema quer a liberdade do amor feito às pressas numa rua escura
Quer a liberdade da fome aprisionada na barriga do medo
Liberem o poema!
Senhoritas de aveludados seios e lábios de fantasias comprados
O poema quer a liberdade dos pés sujos na lama depois da inundação
Quer o beijo anestesiado depois da extração do dente apodrecido
Liberem o poema!
Homens de pouca fé mulheres de fé alugada nos templos vazios de esperanças
O poema quer ser laico, pecador, ateu, gnóstico e infiel
Quer a liberdade como o pão quente numa segunda feira
Neste ano que começa vamos a pedir liberdade para nós
Nós que somos a matéria essencial do poema.

Flavio Pettinichi- 31 – 12- 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009


Eu vi teu rosto no orvalho da pétala arrancada da noite
Eu vi teu corpo mimetizado na confluência das águas
Eu senti teu tempo no letargo das horas cansadas
Eu tomei teu espaço infinito e fiz um retrato essencial

Geográfica nuance tua forma sem falsos mistérios
Um desatino de profundidades e cosmos, teu sexo
Desgarros nas pedras gritam o teu grito esparzido
Agora ficam as manchas nas ruínas do visceral templo

Quem apagará a tinta eternizada no suor dos lençóis?
Que dirá que as manhãs não conhecem o lamento?
Numa encruzilhada de rios a fé desconhece o silêncio
Eu te encontro viva no imanente sentido das sombras

Um café derramado na cadeira vazia...
ainda te vejo.

Flavio Pettinichi- 29- 12- 2010

sábado, 26 de dezembro de 2009


Fotografia Contemporânea
A fotografia como expressão conceitual
Muito se fala da arte conceitual em diferentes disciplinas, talvez a razão da arte esteja passando por um processo de se Pensar a arte, e não só de sentir ela desde uma estética aristotélica.
As instalações são um fiel referente de essa prática,o que leva a pensar , que por ser esta disciplina uma atividade quase nova ainda,a pesar de que Dunchamp era do século passado, ainda veremos outro tipo de expressões do tipo.assim como veio acontecendo em outras disciplinas tais como., pintura(o abstrato poderia ser um bom referente do conceitual) , desenho,( as novas técnica digitais estão ai para mostrar) a música ( a dodecafônica e a minimalista são bons exemplos) etc .
A fotografia não poderia escapar desta tendência, desde Man Ray , Stern, breson e outros tantoS, a expressão fotográfica vem mudando com as correntes contemporâneas,.

O que quer dizer o conceitual?, bom, isso daria para cobrir várias enciclopédias , mas vamos a uma explicação razoável.
“ A arte conceitual é aquela que considera a idéia, o conceito por trás de uma obra artística. como sendo superior ao próprio resultado final, sendo que este pode até ser dispensável. ” (Fontes: Enciclopédia Digital Master. - Enciclopédia Koogan-Houaiss.)
Há tempo que as artes estão entre o homem comum e entre tanto ainda estão distantes, ou seja ,uma das primeiras expressões do homem foi a pintura, e depois a escrita , no que se refere a artes visuais, poderíamos dizer que cada utensílio criado nos primórdios também foram objetos de arte e a palavra talvez tenha sido no seu momento uma das maiores mostras lúdicas do homem , mas vamos lá.
A fotografia hoje cumpre um papel preponderante em tudo o que é informação, e arte é informação, informação esta que altera os sentidos de percepção, mas alguns teórico ainda teimam em fazer dela algo difícil de entender para o publico em geral,ou seja querer explicar a arte como algo simples e complicaram tudo.
Joseph Kosuth também é considerado um dos líderes do movimento conceitual nos Estados Unidos é bastante conhecido seu trabalho "One and Three Chairs", que apresenta uma cadeira propriamente dita, uma fotografia de uma cadeira e uma definição extraída do dicionário sobre o que seja uma cadeira.(Fontes: Enciclopédia Digital Master,)
Então voltemos, a entender, precisamos de um dicionário para entender uma foto de uma cadeira? , justamente disso se trata,de não ter que entender a arte e SIM de voltar a sentir desde uma poética as coisas simples, claro que o dicionário foi um ato de revolta contra a arte elitista, uma cadeira é uma cadeira..o conceitual está em cada um de nós .
o conceitual está no que realmentes estamos dispostos a sentir, de outro jeito só serão imagens, independente de tecnicas e equipamentos .

Flavio Pettinichi- 26- 12- 2010
Fotografia digital " mesa sobre chão de lajotas"ou "ausência "

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009


http://www.youtube.com/watch?v=TU_RPjeJpFg&feature=related

Quando a tua nau partiu também partiram as minhas palavras
Desabaram montanhas e secaram os oceanos dos sonhos
E nós, como trigais abandonados, esperamos a força do sol
Áridos corpos foram amanhecendo no sertão das almas

Tentamos parir o poema na escura solidão da noite
Escolhemos a flor murcha para enfeitar o tumulo dos mistérios
Nós, que tivemos a espada e a rosa agonizamos em silêncio
E tudo passo é uma agulha enferrujada no mapa do tempo

Dormimos no relento do medo e acordamos tarde demais
Agora é tarde amor , agora nossas insinuações são pecados
Na igreja vazia o salmo do adeus ecoa nas escrituras esquecidas
E não soubemos decifrar o instante visceral onde a lágrima era casta

No horizonte algo se mexe sem destino
Eu ainda acredito no despertar
Eu sinto as marés
Elas voltam
Sempre.

Flavio Pettinichi
25- 12- 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009


Como a paixão das pétalas sangrando nas calçadas
Assim nossas vidas como pétalas renascidas da alegria
Como uma estrada onde o destino é inverossímil e fugaz
Assim nossas pegadas deixaram um rastro de saudade e vida

Assim como as arvores que escolhem a luz parindo sombras
Assim nossas palavras escondidas na hora do beijo esperado
Assim como as coisas simples num dia de brisas e desejos
Assim nossas mãos entrelaçadas buscando o essencial de nós

Assim tão infinito e misterioso como o sentimento de amar
Assim meu olhar perdido e sem bússola no mar do teu olhar
Assim a aventura de redescobrir a cada dia cada instante de ti
Assim simplesmente como as pétalas que lembram teu lábios.

Flavio Pettinichi- 19 – 12- 2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009


Pegadas vivas tatuadas nas pedras soltas
Só o silêncio da tarde estremecia a relva
Um reencontro de pétalas e nenhum adeus
Assim foram nossos dias depois da chuva
Agora tudo é mimetismo de sentidos áureos
Agora quando a noite beija o universo te desejo
Agora tudo o que é infinito deságua no teu seio
Agora teu beijo é a adaga que fere o perverso
Então abro portas sem perguntar pelos mistérios
E me entrego...
Flavio Pettinichi 16-12-2009

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

“Corpos contemporâneos “ – Fotografia Digital – Flavio Pettinichi 2009
conceitos fotográficos de arte contemporanêa


Trecho da entrevista concedida pelo fotógrafo Germano Schüür à revista Informativo Randon em outubro de 1986.
Aqueles que encontram na fotografia apenas o resultado do desenvolvimento tecnológico dos equipamentos eletrônicos, óticos e químicos utilizados para a produção da fotografia, estão muito longe de entender o verdadeiro significado da arte fotográfica. Fotografia é a utilização de determinadas técnicas para codificar em imagem o mundo pessoal daquele que fotografa. E a foto arte exprime justamente isto, o sentimento do fotógrafo sobre as pessoas, a natureza e o mundo que o cerca.
Germano é Biólogo e Fotografo gaúcho, ganhador de vários concursos de Fotografia.

Eu concordo plenamente com o comentário de Germano, entendo a fotografia como um meio de expressão plástica onde o real e o imaginário possam conviver respeitando o resultado esperado, eu diria que ate mais que isso, esperando às vezes um resultado nem sempre dominado pelo artista.
“Neste tempo onde tudo é contemporâneo e urgente o artista não escapa das surpresas que a obra possa lhe proporcionar na hora do resultado final, ate por que acredito que, como dizia Humberto Eco,” a obra começa no olhar do outro. ”Então por que não ser Eu também o Outro nessa hora, faço arte justamente para explorar o inesperado,se quisesse tudo exato seria relojoeiro.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

http://www.youtube.com/watch?v=sGQGE5FtFbY&feature=related



Chove aqui e chovem infinitas lembranças de ti
Algumas razões se perderam nos caminhos do adeus
Então uma canção triste acorda os pássaros da ternura
Como uma caricia de ventanias,busco-te dentro do mar

Quando teu sorriso invadia o espaço da noite sentíamos o som do coração
Quando os beijos floresciam, nosso sol brilhava em paz e não queimava
Hoje chove aqui e nenhuma distância é mensurável nem absoluta
Nenhuma poesia derruba o muro que escondeu teu tempo olvidado

Chove aqui e chovem as lágrimas que esquecemos de secar
Agora tudo teu ser se espelha nas poças que alagam as ruas e nada brilha alem de aqueles momentos.

Porque ainda chove .

Flavio Pettinichi- 08-12- 09

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009


Alguns conceitos sobre fotografia contemporânea-

contemporâneo gegenwärtig, heutig, jetzig, zeitgenössisch current, present, contemporary معاصر subst contemporâneo, contemporânea

pessoa que vive/ viveu na mesma época contemporain/-aine
um contemporâneo de Mozart un contemporain de Mozart
os nossos contemporâneos nos contemporains
adj contemporâneo, contemporânea

1 que vive/ viveu na mesma época contemporain/-aine
um músico contemporâneo de Mozart un musicien contemporain de Mozart
2 do tempo presente contemporain/-aine
a literatura contemporânea




Parte 1: Olhares Objetivos

Palavras de Sebastião Salgado, um dos maiores fotógrafos da atualidade no Brasil e no mundo


“Na revista Marie Claire, em 1997, Salgado esclarece que sua maneira de fotografar é totalmente subjetiva: é a sua visão, sua maneira de ver o mundo. Afirma que, junto com a imagem captada, há todo o peso de sua história pessoal, sua formação, sua forma de pensar e reconhece: "A imagem que dou (nas fotografias) é também a imagem da minha ideologia". Isso mostra que o fotógrafo não é dono da verdade. Com suas imagens ele quer mostrar sua visão sobre algo, sua sensibilidade sobre o acontecimento.
Além de ser um observador, Salgado é um provocador, de não somente mostrar o lado sombrio da humanidade. Como ele disse em entrevista no site Terra sobre o livro êxodos: Minha maior esperança é provocar um debate sobre a condição humana do ponto de vista dos povos em êxodo de todo o mundo. Minhas fotografias são um vetor entre o que acontece no mundo e as pessoas que não têm como presenciar o que acontece. Espero que a pessoa que entrar numa exposição minha não saia a mesma.”

Bom , eu faço minhas essa palavras, não tenho como me distanciar da obra sem põr o meu ser (HUMANO) como um todo, seja esta obra ( imagem) , documental ou foto-arte.
Vejo a fotografia como qualquer outra maneira de expressão artística, onde qualquer método que possa me levar a uma estética dentro da minha necessidade, é valido, Isto que dizer, utilizo a câmera fotográfica como uma ferramenta, não como um elemento absoluto nem como um dogma. Justamente o que quero com as minhas imagens é quebrar certos dogmas, coisa que não é novidades. Os grandes fotógrafos já vêm fazendo isso há mais de um século.
Flavio Pettinichi- 05- 12- 09

terça-feira, 1 de dezembro de 2009


Ele voltou, como os ventos e as lembranças
Ela o esperava, como esperam as marés e as espumas
Cada segundo esperado foi um estrondo de semente germinando
A cada passo do retorno uma estrela brilhante e fugaz nascia

Nele, as roupas cansadas de batalhas não escondiam a sua luz
Ela vestida com a sua melhor brisa de verão tinha o sorriso nu
Sentiran-se sem perguntas nem mistérios cotidianos
Na mesa estavam o pão e o vinho como um tesouro eterno

A música das gaivotas da alma tocava no silêncio da sala
Os talheres acompanhavam o ritmo das ondas marinas
Toda arte era o coração batendo dentro dos amantes
Um beijo escapou das mãos na hora da sobremesa

Ele tinha se atrasado no trânsito alucinado da cidade
Ela tinha acabado de dormir as crianças e regar as flores
As janelas abriram-se em harmonia na hora do amor
Renovaram seu pacto essencial de vida

E nessa noite não sonharam, viveram.
Flavio Pettinichi 30- 11- 09