quinta-feira, 27 de setembro de 2012

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Há um sonho de vida
Em mim.
Que acontece em cores
Como asas de borboleta.
Muito Obrigado.
Então um dia você acorda amando...
Então um dia você acorda amando, assim do nada, ou seja, sem interesses manipuladores dos sentimentos, você acorda amando porque não tem  perguntas nem respostas , você simplesmente esqueceu o que foi o ontem e o amanha é só mais um desejo de continuar isto que você sente e que por não ter limites , nem perguntas, nem respostas, isto não tem final.
Enquanto você sente que as paredes palpitam num descabido e quase  insano sortilégio de mistérios , os espelhos não mostram o seu rosto como ele era antes e nas cartas de recomendação só encontra o endereço de quem se ama.
Enquanto você observa as notícias , escuta o vizinho gritar desde a janela de cima, sente que a chuva não vai parar tão cedo, que o custo da vida está pelas nuvens , tudo isso e mais um pouco não tem cabimento na sua vida, você está amando !
E agora? Eu que tinha resolvido tudo , você se diz, já estava quase me aposentando deste dever humano, desta sensação de abismo do bem, desta inconseqüência de sentidos e razões! Você já tinha se respondido todas as perguntas existenciais, com respostas fáceis e agora nem sequer tem coragem de arriscar alguma perguntinha por infantil que pareça, pois você está amando e de que valem os tratados comportamentais e todas a aulas de filosofia barata pagas nalgum boteco ou shopping  de moda, de que valem todas as chaves que você foi colecionando ao longo da sua trajetória como ser coerente com o que a sociedade pede de você, chaves do apartamento que ainda tem pra pagar, do carro, da garagem, da caixa postal, da senha do banco, da senha do celular, chaves e mais chaves, cadeados também , que você até já esqueceu o que guardavam com tanto cuidado , e você esqueceu até onde escondeu as chaves .
 Nada disso importa agora, você está amando e que se compliquem os donos do mundo com suas economias macro e suas micro verdades, que o papa passeie pelo vaticano cuidando do seu rebanho na praça São Pedro e que deixe à Deus fazer o que sempre soube fazer tão bem e você hoje é fruto desta possibilidade infinita.
Amar não é mistério, amar é coragem , coragem de aceitar que quando o amor bate na porta você só vai ter duas chances , abrir ou se manter escondido nas sombras trancafiado com todas as chaves forjadas no inferno da negação.
Porque um dia você acorda amando e observa que na cadeira há mais que algumas roupas  pessoais, que no banheiro alguém já deixou um perfume de vida, que na cozinha um café já está fervendo e na sala um livro espera aberto na pagina onde está a poesia que você tanto gosta.

Flavio Pettinichi – amando hoje – 30 de Junho de 2012

Bem antes das sombras eu já reconhecia as tuas luzes, antes das ruínas eu já andava nas trilhas dos teus sonhos.
Agora é teu destino o leito do meu rio, pedras e areias, algas de cores e sons onde sou o estalo da madeira num dia de ventos.
Porque eu reconheci teu riso dentre as toscas palavras dos medos e desnudei teu corpo num labirinto de insones espelhos onde a saudade era o reflexo do tempo.
Agora o meu destino é teu livro aberto, paginas de farta poesia e poemas incertos onde tu és o remanso das águas quando uma rosa espera em silêncio.

Flavio Pettinichi

sábado, 9 de junho de 2012

Amor, Verbo Subversivo

Antes do homem foi o caos, depois veio a consciência do caos e foi onde a história desandou.Antes do Homem o amor era matéria concreta,depois veio a explicação do amor e ai o assunto voltou a desandar.

Lembro-me de uma menina, empregada doméstica que morava na frente da minha casa, quando eu tinha apenas 15 anos. Era ela de uma beleza impar ou, ao menos, para mim era. Beleza de índia das geográficas latitudes do sul, beleza de ventos e frios que esticam a pele e os olhos, deixando só uma sensação de mistério milenar para quem observa com cuidado.

Eu a observava cada manhã, cada tarde, e cada fim de noite, seu passo rápido na parte da manhã, nos afazeres  diários da casa da frente; seu andar distante na hora da tarde, passando roupa na janela que abria desejos para minha pouca noção do desejo; seu corpo nu e lânguido  nas últimas horas da noite sempre coberto pela inocência infame de quem deve alguma coisa , e eu observava todos estes movimentos com meticulosa esperança de um dia chegar até lá.

Eu não sabia quem eram seus patrões, a casa era uma casa grande, mas não era uma mansão, o bairro era a fronteira entre a civilização oprimida da época e a vila militar e eu percebi, um dia, que esta casa estava dentro da vila, normal para um rapaz que só entendia a vida como uma urgência de vivências e prazerese não com os medos que assolavam a realidade.

O tempo foi passando e o desejo aumentando, algo dizia que o dela também, pois já não éramos desconhecidos um do outro, olhares que se encontram numa esquina, tirar o lixo pra rua na mesma hora, a coincidência de pegar o mesmo ônibus no seu único dia de folga e um toque imperceptível das nossas mãos na fila do mercado. Tudo isso tinha criado uma cumplicidade clandestina em que a contrassenha ainda teríamos que descobrir.

Uma noite eu vi um movimento diferente na casa, carros escuros e homens vestidos de acordo com a situação de escuridão movimentavam-se nervosos pelas ruas da vila,foram emborajunto com o dono da casa e a sua esposa, então aconteceu: a contrassenha foi uma janela aberta e um corpo iluminado apenas pela chama de uma vela vermelha.

Corri pela infinita rua que me separava da vila,corri sem guardar ar nos meus pulmões e voei até transpor a janela dos sonhos e desejos.Estava ali, nua de alma aberta, nua de todo medo, nua de toda infâmia e foi um resplendor o nosso beijo.

O fim da chama acordou os nossos sonhos e anunciava o nascimento de mais um dia na cidade da fúria, o nascimento de mais um dia na agonia da espera até a próxima janela aberta aos mistérios.

Assim foi durante um bom tempo e eu fui sabendo quem era patrão dela, dono da casa da vila militar, e eu fui lendo os jornais da cidade sitiada pelo espanto, e fui conhecendo os mortos que aos milhares iam se transformando em desaparecidos vivos nas memórias do que sofreme fui contando para ela, como quem conta um conto de fadas , ela escutava desde seus olhos de distância e me beijava a cada palavra que ainda não era clara.

Aconteceu um diade eu ler o jornal e ver um rosto ensanguentado estampado na manchete que dizia, “terrorista é morta em enfrentamento com as forças da ordem Pública” , achei normal a manchete ,”não somos unidos pelo amor , porém  pelo espanto”, diria J. Luis Borges.

Algo me pareceu familiar naquele rosto, mas estava tão desfigurado...só os olhos estavam claros, tão claros como os rios que baixam das montanhas do sul, tão claros como as extensões patagônicas , tão claros como o desejo de amar. Então vi o olhar de distâncias que tantas vezes eu tinha olhado até me perder na sua geografia carnal.

No outro dia li no jornal a manchete que dizia:“ explode casa da vila militar, não há sobreviventes.“

Flavio Pettinichi – 09- 06- 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Fotografia Digital e Texto: Flavio Pettinichi- 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

Fotografia e Texto - Flavio Pettinichi- 2012

terça-feira, 27 de março de 2012


fotografia e texto : Flavio Pettinichi 2012
Porque eram teu rios ,minhas lágrimas
e redemoinhos eram teu beijos
na ressurgências dos desejos
Na letargia da erótica derme
como espasmos de asas em voo cego
e galhos quebrados ao som das brisas
sem nada do que foi silêncio no ardor da oração
silenciando pagãos rituais que dormiram em ti
em lancinantes estágios do adeus ardendo
dentro de mim
calando palavras na densidade da noite
como facas de infame sorte querendo o corte
que na afundada matéria dentre as marinas rochas
descompõem-se em vida no liquido espaço
de molusca entranha esvaídas de momentos
outrora leves ,outrora cegos sem destinos férteis
onde as sequidades dos fluxos invadem-se
a si mesmos
regurgitando o espanto de misericordiosos salmos
de almas em lamas infectas de paixão
não havendo puberdade nem perdão
eis que calamos...
herméticos

FlavioPettinichi- 27- 03- 2012

quinta-feira, 15 de março de 2012



fotografia e texto ( conto) flavio Pettinichi - 2012

“O Muro do amor”-
Mini Conto de Flavio Pettinichi

Nos muros da minha rua estão escritos alguns nomes de alguns amores que talvez tenham sido algumas paixões de alguns incautos amantes nalguma instância de carência e agonias.
Eu fui decifrando cada um deles como quem faz uma autopsia de si mesmo, na carne liberta e sentindo a dor que implica separar os tecidos da alma e as veias abertas de abertas lembranças.
Foi então que descobri o mapa do medo e do amor, hieroglíficos de signos olvidados foram as minhas palavras e o silêncio foi tomando a voz destes mistérios.
Era Francisco quem amou Teresa , numa tarde de nubladas esperas e insanas palavras escondidas num paletó esquecido num antiquário de mistérios. Teresa não amou Francisco , nem sequer odiou, um pacto de sombras impedia ter estes sentimento , quase humanos, quase etéreos, e um dia ela saiu pela porta dos fundos da alegria e nunca mais voltou.
Eu descobri Teresa e vesti o paletó de Francisco numa esquina fria de Londres, ela não reconheceu meu canto , que era o canto mudo de Francisco e entramos os dois pela porta da frente de um cemitério escuro de desejos e nunca nos beijamos.
sai pela porta pela qual entrei e nunca mais voltei.
Assim continuei na leitura apócrifa deste muro de vida e cal , desentranhando sonhos e pesadelos sem voltar atrás.
Era Maria quem amava Antonio , homem de poucas histórias e corpóreas dúvidas, feridas abertas pelo passado e infecções de uma existência vã.
Maria uma mulher de palavra pouca e beijos de infernal sensibilidade , mulher de fartos seios e leite farta sem sementes germinadas.
Conheceram-se na estreites da infame miséria do homem e amaram-se escondidos de si mesmos.
Antonio abandonou Maria indo à procura da fé infantil de um Deus de moedas e nunca mais voltou , Maria derramou seu leite em rios de luxuria e nunca mais secou.
Em rabiscos , descobri Helena que odiou Marcelo e sempre desejou, helena de loiros cabelos, de sonhos impuros, da flor tatuada no sexo e do vazio voraz de amar sem se entregar.
Marcelo de patéticas esperança, da flor seca no sol,do sal queimando esperas e livros incendiados nos túmulos abertos das caridades sem amor.
Odiaram-se numa interminável espiral de mentiras, traições e desumanos desesperos, sem pecados nem penitencias, sem redenção e sem Deus vivo na sensação da dor e foi bom.
Encontrei os dois , tomados das mãos , numa ilha habitada de poetas cegos e mudas ninfas virgens , um paraíso onde só os castos e os puros tem o direito de permanecer.
Eu saí pela trilhados fundos e nunca mais voltei.

Flavio Pettinichi – 15 de março de 2012

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Acordar

Acordar , ver o sol entrar pela janela, ir pra praia.
Entender que cada dia é um compromisso com a vida.
A vida é tudo e o todo, todos somos nós e nós somos
Este espanto e esta alegria, poesia e desespero.
Se eu não refletir, questionar, agir e me entregar ao todo
Estarei morto antes das larvas chegarem.
Flavio Pettinichi- 25- 02-2012

Como escreveu Milan Kundera na obra “A Insustentável Leveza do Ser"
“Lentamente, a covardia vai se tornando um hábito.”

“ Eu sei que estou vivo quando chego ao ultimo degrau da escada...”


"fotografo: Flavio Pettinichi" Canal Itajuru" cabo Frio- Rio de janeiro- 2012
“ Eu sei que estou vivo quando chego ao ultimo degrau da escada...”
Estas palavras me foram ditas por um grande amigo (mestre) há alguns dias, claro que a gente ficou rindo disto, pois parecia algo filosófico e na realidade ele comentava que era verdade o fato se ir da área de baixo até o primeiro andar da casa dele , era só uma questão de saúde.
Eu vi nesta sentencia uma verdade que tenho que colocar em prática a cada dia em várias escadas do dia.
Subir até o ultimo degrau da minha tolerância e não cair na tentação da minha soberba, não é um trabalho fácil, quando eu sou atingido pela ignorância do outro.
Subir ,de novo, até o ultimo degrau do meu egoísmo e não cair na tentação de tirar do outro as suas idéias ou seu conceitos, para mim, errados.
Aceitar que cada ser humano escolhe a sua cruz e seu espinhos , seu martírios e o seu calvário é uma questão da minha fé perante a escada das crenças , sabendo que o ultimo degrau disto e o Deus como eu o aceito.
Subir a escada de mim mesmo, até o ultimo degrau das minhas contradições, erros, acertos, dores, alegrias , é não cair do ultimo degrau da minha impotência perante a aceitação disto que ainda está longe de ser que eu gostaria ser.
Apenas um SER humano.
Flavio Pettinichi – 26 – 02 - 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

tudo continua ...

Existem momentos onde a partida é parte da chegada.
Momentos que de tão essenciais são eternos.
Há horizontes em mim....

Então um Dia (Hoje por exemplo) e olha em sua volta e vê ,de novo, que tudo está como antes.
A cama continua com um espaço sobrando, os livros que você nunca leu continuam no mesmo lugar, com alguma poeira, a roupa que você comprou para uma oportunidade especial já passou de moda e tudo continua igual.
Você olha pela janela e entende que o vizinho está feliz , ou faz de conta, porque está cantando aos berros alguma música cafona e você só escuta o seu silêncio atordoado de mesmices.Abre a porta da varanda, o vento ainda faz estragos e as folhas da arvore da rua continuam a invadir a tua área, tudo continua igual.
Preparar um café pode ser um grande acontecimento..ou pode ser uma grande frustração , decide ir na padaria, ao menos vai ver gente, ou seja a mesma gente, o mesmo caixa e o mesmo bêbado que está jogado embaixo da marquise e quase é patrimônio da humanidade ,tudo continua igual.
Volta para casa, vai ser bom perder o dia de trabalho hoje, talvez algo aconteça, não, melhor é ir ao trabalho se não de fato algo vai acontecer , perder o trabalho nesta idade é foda!
Vestir alguma roupa. Sempre as mesmas, pois roupa de trabalho não é importante. Que tal mudar a gravata? Não melhor vou mudar a cueca! Ninguém vai perceber , mas eu sei que fiz algo diferente ..ou seja você fez, pois pra mim tudo continuaria igual.
Estão todos com as mesmas caras, Caralho!! Todo o mesmo papo, a mesma conversinha mole de final de semana. jogos, churrascos, a gata(o) que transou na festa, alguém que morreu..e aquele filho da puta do Silveira que nunca vêm as segundas feiras e sobra pra quem ? Tudo continua igual .
Você não está com fome, alias você esta com fome de coisa diferente, lagosta, champignon, algum vinho branco gelado , algum suco exótico, mas a quentinha é a mesma , o sanduíche que preparou ontem não tem nada disso , como não pensei ontem? Como não pensou ontem não é?Tudo continua igual..esta filhadaputice tem que acabar...
Qual filhadaputice? : já se perguntou isso?
È muito trabalho e no final das contas hoje é segunda feira o dia vai ser bravo, ou não vai ser, vai depender de você , mudar é uma renuncia ao ego, continuar igual é ter a probabilidade do acerto , ou seja esse acerto no qual você e eu, ou seja nós, já estamos quase acostumados.o mesmo acerto do igual.
Tudo continua igual nunca pode ser sinal de crescimento , continuar igual é estado das pedras, das coisas inertes,do que não pulsa.
Eu Hoje não quero continuar igual e estou saindo de onde estiver e vou mandar muita coisa para a casa do caralho, muita coisa que mantenha o meu sossego, quero o desassosego para não ter que morrer de novo esta noite, esta noite vou dormir, não vou agonizar!
Então dá licença, Vai pra putaqueupariu tudo o que não me dá prazer nem espiritualidade !
A não gostou da palavrinha ?
Bom então continue igual....eu Não!
Flavio Pettinichi – 13- 02- 2012