domingo, 3 de abril de 2011

adaga poesia


Talvez seja riso, talvez inciso
Um recipiente vazio guarda mistérios.
E sem volúpias, uma borboleta morta
Adorna o estante do tempo escondido.

Quem desentranhará a nudez da tua alma?
O vácuo infinito do que nunca foi saudade
Quem terá a coragem de carregar o que não foi luz?
Há nos cegos uma corcunda de lágrimas secas.

Não adiantam palavras com presa
Nem atrasam os relógios de nuvens.
Sentir é um destino de desérticas razões
Feridas esperas agonizam numa plataforma
Vazia.
A poesia corrói o aço do humano inverno
Há chuvas nos dias de tristezas eloqüentes.
A poesia é uma adaga que fere sem morte
E sangra em cada instante que escolhe o silêncio.

Flavio Pettinichi – 31 de março de 2011

7 comentários:

Sandra Botelho disse...

A poesia é uma adaga que fere sem morte...
Gostei disso poeta.
beijos achocolatados e uma ótima semana

Desnuda disse...

Flávio,

Obrigada pela visita e a gentileza do comentário.

Sobre a poesia e imagem, ADOREI! O título é uma combinação perfeita do conteúdo.

Beijos e ótimo domingo!

Lou Witt disse...

Sempre bom te ler, poeta mar!!!

Beijo de carinho!!!

Janaina Cruz disse...

A poesia é mesmo cortante, ferindo coisas escondidas ou esquecidas, derrubando muros silenciosos ao redor de tudo...

Abarços

Desnuda disse...

Boa noite, Flávio,

Relendo a sua poesia.... A poesia é sempre contundente.


Beijos com carinho e bom fim de semana.

Anna Amorim disse...

Flávio,

Representar o irrepresentável!
Colocar em palavras e imagens o vazio. Um poema-adaga que fere, mas uma forma de (com)partilhar o que de outra forma não alcançamos comunicar.

Lindíssima composição.

Beijos,poeta

on the ground disse...

o tempo e o amor corroe tudo...
a arte fica para sempre para quem sabe amar em poesias...
escrevo cartas para ninguém... pq não amo mais...
estou corroida pela dor de um amor que nunca se foi...
esta cravado aqui...
gostei e muito de serus versos...
me inspiraram para uma nova forma de pensar.
abraços fraternos